Paula Barbosa Vargas:
Pelos direitos de todos

Como acontece com alguns moradores de Gravataí, a recém-eleita Presidente da Subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), PAULA BARBOSA VARGAS (39) nasceu em Porto Alegre. No entanto, ao sair da maternidade, rumou no colo dos pais Áurea Celi e João Paulo de Jesus Vargas (in memoriam) para o lar, na Aldeia, e hoje luta pelos direitos da comunidade.
Qual a importância para uma cidade ter uma representatividade da OAB?
A necessidade de uma subseção da OAB se dá pelo tamanho da cidade, além de termos, na Ulbra e na Facensa, Faculdade de Direito. Entre os benefícios principais que a instituição proporciona, está o canal de comunicação da comunidade, em que esta pode apresentar denúncias e buscar ajuda, pois temos também a função de proteger o cidadão em relação aos seus direitos humanos. Principalmente, porque se trata de um órgão de classe que fiscaliza a atuação dos advogados, através do Conselho Subseccional, julgando os processos disciplinares de denúncias contra os profissionais da área. Hoje, constatamos que 70% dessas denúncias, na cidade, são infundadas. A OAB também age em parceria com outras instituições em campanhas contra drogas, fortalecendo os reclames da sociedade e o contato com o judiciário, o executivo e o legislativo, para que, unidos, todos tenhamos mais força.
Como nova Presidente, qual suas metas para a gestão?
É a primeira vez que assumo a presidência da OAB local, mas já integrei a diretoria e atuei como Vice, por isso tenho uma visão geral das coisas. Pretendo expandir o espaço da sede, localizada na Rua Angelino Lorenzi; promover a divulgação do conhecimento jurídico e de assuntos diversos através de palestras; a retomada do contato e de parcerias com todas as instituições representativas no município, como clubes e associações, na busca do atendimento das necessidades sociais e da melhoria na qualidade de vida da população gravataiense; estabelecer uma maior comunicação com as faculdades de Direito, fomentando o conhecimento jurídico e reforçando a proximidade de acadêmicos com a OAB. E outra meta é a formação de comissões de advogados para tratar de interesses de alguns setores.
O que Gravataí precisa na área do Direito?
Estamos bem servidos nesse assunto, do ponto de vista acadêmico, pois temos, como já citei, a Ulbra e a Facensa. Mas, funcionalmente, precisaríamos de uma expansão do Fórum no que diz respeito a mais Varas nos Judiciários Federal, Estadual e do Trabalho, que atendam às demandas gerais. Isso implica aumento de servidores e de juízes.
O que significa ocupar este cargo sendo mulher?
Quando era mais jovem, sentia uma diferença por ser mulher. Hoje, não mais. Esse cargo tem o ranço do machismo e, na história da OAB local, sou a terceira mulher a ocupar essa função, precedida por Mônica Borges e Mônica Vargas, que foram excelentes e que, através de suas conquistas, abriram caminho com o bom trabalho executado. Colho o que elas plantaram em anos bem anteriores aos meus.
Como enxerga o sistema judiciário vigente? E o que mudaria?
No geral, vejo um judiciário competente e mais célere, especialmente em matérias trabalhistas, ramo em que está bem mais eficiente. No entanto, a meu ver, o que deixaria o judiciário mais rápido seria a mudança no sistema recursal, que hoje permite uma gama de recursos, trancando o andamento dos processos. Se tivesse poder de mudar algo, seria a legislação que regula este sistema para que ele fosse ainda mais eficiente. E o peticionamento eletrônico, que já está sendo informatizado e agilizando os processos.
O exame da OAB é difícil?
Não é tão difícil. É compatível com a necessidade de conhecimento para a atuação profissional. Sou a favor da prova seletiva, pois, após ser introduzida, os profissionais se tornaram mais competentes. Aponto a deficiência de base acadêmica como principal fator na dificuldade em passar no exame. A Faculdade de Direito não é suficiente, pois não exige tanto quanto a prova da OAB, que aprofunda questões que ele vai encontrar no cotidiano profissional.
Por que escolheu essa carreira?
Porque percebi que possuía muita facilidade em estudar legislação. Fiz Magistério, no Colégio Dom Feliciano, e uma das matérias era sobre a estrutura e o funcionamento do ensino de 1º e 2º grau, dada pela Professora Jussara da Silveira Lopes. Aliado a isso, sempre tive imensa admiração pelo renomado Advogado José Cláudio Camargo, amigo íntimo de meu pai. Na convivência, percebia sua postura diante da vida e da profissão. Ainda pequena, já queria ser como ele. Foi minha grande inspiração e, aos 14 anos, decidi que seguiria seu caminho.
Paula Barbosa Vargas
é Advogada, formada em 1992, pela Unisinos. É também Professora Universitária e Presidente da Subseção de Gravataí da Ordem dos Advogados do Brasil.