• Segunda-feira, 30 Mar 2009

    Eki Leitlas – O autor

    Bululu e bíbulo incorrigível, suspeita-se ser de origem bururu, visto terem sido descobertos alguns fragmentos de escrituras - similares em aparência e natureza das aqui encontradas - à margem esquerda do maior rio existente na Terra, o Amazonas. Outro forte indício da naturalidade de Eki Leitlas é uma pequena tribo de autóctones, localizada no alto da parte ocidental da maior cadeia de montanhas do mundo, a Cordilheira dos Andes, cujos machos possuem suas duas cabeças excessivamente grandes, como o dramaturgo em questão.

    As arcaicas atestações
    (benim ad bkz. be Feromônio)
    Os referidos manuscritos - muitos em escrita rúnica (em seiva de pinheiro) e cifrados em dialeto otomano (o bom e velho turco) - foram encontrados, como já é de domínio popular, na Fonte do Forno por um tal de Dorvo (demológico personagem da Aldeia dos Anjos e homem do povo – idos 1970 - que tinha a faculdade de dormir em pé em locais sabidos e não-secretos, em especial na Estação Rodoviária ou na porta do banheiro público, localizado nos fundos da mesma, alienado a tudo e a todos (dormir em pé já é incomum, imagine-se com todo esse fedor).
    Alguns homens do passado contestam esta versão, atribuindo o achado, não ao Dorvo, e sim, ao Bulula, outra figuraça local. Mas isto é assunto pra depois.

    Postado por Ike Saltiel   às 15:16   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Segunda-feira, 30 Mar 2009

    Mi nombre es Ferômonio III

    (Conto original 3)

    Parafraseando um dos maiores poetas de todos os tempos – se não o maior –, o chileno nascido Nefatli Ricardo Reyes Basoalto – Prêmio Nobel de Literatura de 1971.... e, antes que eu seja execrado por tal tradução livre e muito mal desenvolvida, de antemão peço desculpas a Pablo Neruda (in memoriam), bem como, ao seu extraordinariamente numeroso séquito de cultuadores*.

    Confesso que comi
    (E aí, Neruda? Me ajuda!)
    “Estas memórias ou lembranças são intermitentes e, por momentos, me escapam porque a vida é exatamente assim. A intermitência do sonho nos permite suportar os dias de abstinência sexual. Muitas de minhas lembranças se toldaram ao evocá-las, viraram lixo como uma camisinha irremediavelmente furada.
    As memórias do memorialista não são as memórias de um copulador. Aquele viveu menos, porém fotografou muito mais e nos diverte com a perfeição dos detalhes; este nos entrega uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e a sacanagem de sua época.
    Talvez não tenha comido a minha própria mulher, talvez tenha comido a mulher dos outros.
    Do que deixarei escrito neste blog se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como nos tempos das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho aveludado e libidinoso.
    Minha vida sexual foi uma vida feita de muitas mulheres - reais e imaginárias: uma vida feromona.” 


    *Tradução neologista

    Postado por Ike Saltiel   às 15:06   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Segunda-feira, 30 Mar 2009

    Mon nom est Feromônio IV

    (Conto original 4)

    Havia uns dez anos que não a via, e uns 20, que não a comia. Na minha cidade, Gravatahy, que no meu tupi-guarani quer dizer “ponta de guampa”, o movimento automobilístico é grande nas poucas avenidas principais, por isso estava eu me deslocando em uma travessa vicinal, quando a vi, na calçada, afastando-se do carro e indo em direção a um portão. O imponderável do destino nos deparou. Cara, ela continuava muito, mas muito gostosa. Minhas duas mãos, certamente com uma ordem expressa do meu tigrão, guinaram o volante para a direita.
    – E aí, guria, visitando a sogra?
    – Oi, Eki, há quanto tempo?
    – Quem mandou tu ti mudares para longe?
    (N.T.: aqui, presume-se que a Mulher Três, em questão, havia se mudado para alguma outra cidade, distante, mas não tanto).
    – Pois é. Vim trazer pra ela uns documentos que o Corno Três pediu. E tu, como estás?
    – Tudo bem, tudo na paz, mas, poderia estar melhor se tu ainda morasses por aqui e blá, blá, blá...
    – Tchau! Um abraço na Mulher Um (N.T.: esposa de Eki).
    Rapaz, liguei o carro e segui adiante com as duas cabeças à milhão. Isso não poderia ficar assim. Ainda mais que eu ouvira, meses atrás, zunzum sibilino e a boca pequena, de que ela havia pulado a cerca conjugal. Não poderia perder essa chance única. O cabrão estava longe, viajando, certamente traindo “ela”. Liguei para uma amiga em comum:
    – Oi, aqui é o Eki. Por acaso, não tens o telefone da Mulher Três... É que eu soube que ela esta aqui, e gostaria de dar um recado pro Corno Três, blá, blá, blá...
    Consegui o número.
    – Oi, menina! desculpa te ligar, mas quero saber se a tua promessa ainda está de pé, por que ele já está.
    – Como conseguiu meu telefone e que promessa?
    – A de sempre ser meu amante!
    Silêncio absoluto no outro lado da linha. Eu, corajosa e pretensiosamente, insisto:
    – Tá, e aí. Vamos pro motel?!
    – Vou pensar.
    – Pensa bem!
    –Vou demorar aqui na Dona Três, uma meia hora, já te ligo, Marli. Um beijo. Tchau!
    Olhei as horas no painel do carro. Pensei profundamente. Passados cinco minutos, fui pro estacionamento estratégico de um posto de gasolina. Parei. Pensei novamente. Que 30 minutos eternos! Acho que ela não vai me ligar. Toca o celular, nada a ver. Passados 22 minutos, ela liga.
    – Tu é louco, se a velha imagina e ela não é boba...
    – Calma! Estou aqui em tal lugar, blá, blá, blá.
    – Não vai dar. É muito arriscado.
    – O deleite sexual proibido aos amantes é o mais completo prazer para quem o desfruta – filosofei e continuei. - Eu não vejo a hora de te abraçar, te acariciar, sentir os teus peitinhos e alisar seus dois lindos botões e, descer no umbigo e chegar até o matinho escuro, em nome dos velhos e bons tempos, ... venha me beijar, minha  ....
    Tropecei na minha apaixonante conversa, mas, ela, com voz maliciosa, me liberou.   
    – Eki, tô indo!
    Meu Deus! Respirei fundo. Eu ia comer a Mulher Três depois de mais de duas décadas. Senti uma reunião íntima de lembranças ao mesmo tempo ternas e lascivas. Como seria meu desempenho. Não podia decepcionar. Ela teve dois filhos. Vestida ela estava linda, mas nua...
    Foi tudo maravilhoso

    Postado por Ike Saltiel   às 15:10   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Terça-feira, 17 Mar 2009

    Introdução

    Uns manuscritos poliglóticos encontrados ao acaso, sabe-se lá quando, sabe-se lá onde, sabe-se lá por quem, foram por mim traduzidos, visto ser eu, um troglodita. Depois de algumas ponderações abaixo, seguem, ainda mais abaixo (os blogues são assim), os dois primeiros escritos da série. O primeiro original foi escrito em latim (meus nomen est Feromônio), em pele de cabra, possivelmente com uma pluma de avestruz. Já a segunda escritura foi redigida à mão, em pena de bem-te-vi, na pele de animal incerto e não sabido, macerada em cal, raspada e polida, na língua da nação espanhola, mais precisamente no dialeto de Castela, pelo que também é chamada castelhano (mi nombre es Feromônio).
    Eis, então o Feromôniomôniomôniomôniomôniomôniomôniomôniomônio môniomôniomôniomôniomôniomôniomôniomôniomôniomônio... desculpa, proble¬_mas  no te_clad_o.

    Feromônio

    Os feromônios ou feromonas são substâncias químicas que, captadas por animais de uma mesma espécie (intraespecífica), permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos. Os feromônios excretados são capazes de suscitar reações específicas de tipo fisiológico e/ou comportamental em outros membros que estejam num determinado raio do espaço físico ocupado pelo excretor. Existem vários tipos de feromônio, como os feromônios sexuais, de agregação, de alarme, entre outros.
    A palavra feromônio foi cunhada pelos cientistas Peter Karlson e Adolf Butenandt por volta de 1959 a partir do grego antigo ϕέρω (féro) "transportar" e ὁρμῶν (órmon), particípio presente de ὁρμάω (órmao) "excitar". Portanto, o termo já indica que se trata de substâncias que provocam excitação ou estímulo.
    Na produção, animal os feromônios se tornam importantes, pois podem auxiliar no manejo reprodutivo de determinados rebanhos, como por exemplo, no rebanho ovino, no qual se pode, através da exposição de machos a fêmeas previamente separadas, sincronizar o cio dessas matrizes para que todas entrem em reprodução no mesmo momento. Isso só é possível porque feromônios masculinos detectados pelo olfato das fêmeas provocam alterações fisiológicas no ciclo reproduivo das mesmas.

    Sem mais preâmbulos
    Já que chegaram até aqui...
    com vocês...
    os dois primeiros artigos indefinidos, porém, originais.


    Dedicado a minha amante número um.

    Postado por Ike Saltiel   às 11:33   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Terça-feira, 17 Mar 2009

    Meus nomem est Feromônio I

    É incrível como nossa memória, contrariando a lógica do corpo humano, vai ficando mais clara com as lembranças à medida que o tempo voa.
    Quanto mais velhos ficamos, mais vivas as doces recordações da nossa infância e adolescência.
    Quanto mais nossos membros e órgãos vão se declinando, nossa massa cefálica reservada à memória vai, na contramão cronológica, funcionando melhor.
    Parafraseando o que disse certa vez um certo professor brasileiro, eu tracei mais mulheres do que merecia, mas bem menos do que gostaria.
    Certamente, por isso, ainda hoje, no inverno de minha vida, não posso ver um par de tetas ou, principalmente, uma bela bunda, sem ficar, no mínimo, nervoso.
    Para piorar a situação, esses estilistas afetados em conjunto com a evolução da indústria têxtil, conseguem, com suas roupas modernas, embaladas com um aperto inferior à pressão atmosférica e desnudando sensualmente cada vez mais nossas mulheres, me deixar, se é que é possível, ainda, mais perturbado.
    Quando jovem, e lá se vão cinqüenta e tantos anos, vi uma charge numa daquelas revistas masculinas, que chamo carinhosamente de “Catálogo de Bocetas”, onde dois homens, por volta de seus 50 anos, à beira de uma suntuosa piscina, envoltos de meia dúzia de mulheres peitudas, conversam sobre o assunto campeão de audiência. Eis a legenda: - Sabes que, quando jovem, eu me perguntava quem eram os que comiam esta mulherada toda. Hoje eu sei, somos nós!
    Pois eu não precisei chegar aos 50 anos com dinheiro no bolso para comer elas.
    Lembro agora, com clareza, que certa feita, lá pelos meus saudosos 19 anos – pouco antes de me casar -, decidi que, durante um mês, iria comer uma mulher diferente por dia, ou por noite, ou por dia e noite – bem melhor.
    Estava indo muito bem, até que no sexto dia de sexo variegado, não resisti e quebrei meu próprio trato, pegando a mesma gostosa do dia anterior.
    Mas, se vocês, homens e, até mesmo, mulheres, a vissem, dar-me-iam (mesóclise, que chique!) razão.
    Depois desta tentativa mensal diferenciada, que não posso de forma nenhuma afirmar como malsucedida, nunca mais tornei a cogitar tal façanha.
    Ainda vou, muito em breve, começar a contar quantas mulheres diferentes comi.
    Com certeza, de longe, passei das cinquenta – não incluindo aí as putas, ou melhor, as mulheres que não precisei colocar a mão no bolso em troca do prazer.
    Aliás, foi somente após os meus 40 anos que comecei a comprar os carinhos femininos, não tanto por necessidade, mas por puro comodismo e influência da mídia. Mesmo assim, o dinheiro por mim investido em montadas, com o perdão do chulo trocadilho, foi de pouca monta.
    Mas tenho que reconhecer que, depois de uma certa idade, o melhor mesmo é ir a num pesque-pague e comer umas piranhas do que se aventurar rio acima, às vezes, sob fortes tempestades, e não ser bemsucedido, arriscando ainda a levar um raio bem no meio das guampas.

    Postado por Ike Saltiel   às 11:30   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Terça-feira, 17 Mar 2009

    Mi nombre es Feromônio II

    (ou a Mulher Dois e o seu aspudo respectivo)

    Estou sozinho em casa. Os filhos na escola e a mulher trabalhando na Delegacia de Ensino. Alguém tinha que trabalhar. O telefone toca.
    – Alô!
    – Oi, Eki! Preciso falar contigo. Sai daí e vai lá pra Várzea, na rua da Brigada. Não demora!
    E desligou. Meu Deus do Céu! O quê... uns bons cinco anos que eu não falava com ela, tampouco a comia, e ela – a Mulher Dois – me liga, esbaforida, não disse nem o nome, nem precisava mesmo. Mas, mesmo agitada e sem falar comigo há um tempão, ela tava natural, como se eu, mesmo depois dessa eternidade de hiato, dois casamentos – o meu e o dela -, três filhos, até então – dois meus (registrados) e um dela, fosse íntimo, como se tivéssemos almoçado juntos há poucas horas. Meu coração, não só ele, disparou. Ela era e continua linda. Talvez, a mais bela – não a mais gostosa – de todas.
    Nosso sexo nunca tinha sido dos melhores. Eu gosto muito de receber um generoso boquete, coisas que a grande maioria das mulheres o fazem instintivamente. Essa saudável prática me auxilia muito no meu desempenho. Com a Mulher Dois, era diferente: todas as vezes eu tinha que rodear, insistir carinhosamente para ela trabalhar nesse sentido. E, o que era pior, parecia que depois de cada foda, ela sofria um apagão boquetal. E, mesmo assim, depois das seguidas persuasões, o resultado era fraco: um bochechar quase que mecânico, com raras cabeçadas no céu da boca; sem o correto uso auxiliar das mãos para o entrosamento dos testículos na festa; poucas bolas nos queixos; fora de ritmo; sem o mordebeliscar de sua linda dentição e com a ausência do uso, ora frenético, ora lânguido, da língua, diga-se de passagem, fundamental nesses preâmbulos. Garganta profunda, então, nem pensar. Lembro-me de uma vez, no meu Fiat 147, zerinho, o tempo era curto e eu, com a mão direita na nuca dela, empurrei sua cabeça para baixo em direção aos meus países baixos. Ela, quase inocente, sem entender nada, perguntou:
    - Que isso? O que foi? O que tu tá fazendo?
    Eu, já sem tempo e sem paciência, disse empurrando, agora com mais força a sua linda cabecinha replena de cabelos loiros, cheirosos e sedosos:
    - Chupa! Chupa, meu amor!
    Encostei o Nivão Vermelho (Lada Niva) próximo da Brigada Militar, olhei no retrovisor e ela estava vindo num baita carrão. Estacionou e já pulou de imediato para o lado do carona. E lá fui eu, num período financeiramente muito difícil, dirigir o carrão e comer a mulher do corno Dois. Ele tinha ido pescar. Certamente, estava naquela hora, à beira de alguma lagoa, cercado de lindas putas. Esse casal estava muito bem na foto, economicamente falando. Eu apaguei, de tanto prazer. O motel ela pagou com prazer.

    Postado por Ike Saltiel   às 11:22   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Terça-feira, 17 Mar 2009

    Cantão ou Guangzhou

    ¹Cantão ou Guangzhou (em chinês tradicional 廣州 e simplificado 广州; Pinyin Guangzhōu) é uma cidade no sul da República Popular da China e capital da província de Guangdong, com 5,7 milhões de habitantes.
    É um importante porto no Rio das Pérolas. Tornou-se parte do Império da China no século III a.C. Na Idade Média, comerciava já com a Índia e Arábia. Os portugueses obtiveram o monopólio do comércio com este porto em 1511. A partir do século XVII, os ingleses foram autorizados a negociar, seguindo-se os franceses e neerlandeses no século seguinte. Depois da guerra do ópio,em 1842, o comércio deixou de estar restringido, sendo autorizado o estabelecimento de uma concessão franco-britânica entre 1856 e 1946.
    Será a sede dos Jogos Asiáticos de 2010.
    ²Songshi Quan (鬆獅犬 Pinyin: sōngshī quãn), que significa literalmente"cão leão-empolado". A raça também é chamada de Tang Quan, "Cão da Dinastia Tang".
    ³ Gravataí é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Pertence à Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre e à Microrregião de PortoAlegre. Seu nome tem origem numa espécie de bromélia conhecida como Gravatá. A atual prefeita é Rita Sanco, eleita em 2008.
    O município possui o sexto maior PIB e a sexta maior população do estado. A criminalidade é a mais baixa da região, com taxas bem inferiores às de Porto Alegre e demais municípios da Região Metropolitana.
    A cidade faz aniversário em 8 de abril. Gravataí foi fundada em 1763, nove anos antes de Porto Alegre. O acesso à cidade pode ser feito por três rodovias estaduais (RS-118, RS-020 e RS-030) e uma federal (BR-290).Localiza-se a 22 quilômetros da capital do estado e a 20 quilômetros do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Gravataí é conhecida pelo forte polo industrial, no qual se destaca uma unidade da fábrica de automóveis GM.

    Postado por Ike Saltiel   às 11:42   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

Eki Leitlas - O Autor

Nascido em 1857, sabe-se lá onde. Errou mundo afora, desde o extremo sul da China, em Cantão¹ (imputa-se a ele a vinda da raça dos cães Chow-chow² para o Ocidente, em especial a Cachoeirinha) até Gravataí³, visto que, suas garatujas foram encontradas na Fonte do Forno, na Aldeia dos Anjos.



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