• Quarta-feira, 12 Ago 2009

    Nazywam się Feromônio XI

    À vocês, amadas visitadoras:
    “Nestas recordações não vejo bem a precisão periódica do tempo. Confundem-me acontecimentos minúsculos que tiveram importância para mim, e parece que esta foi minha primeira aventura erótica, estranhamente misturada à história natural.
    Talvez o amor e a natureza tenha sido desde muito cedo as jazidas de minha poesia.”

    Pablo Neruda

    Postado por Ike Saltiel   às 10:04   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Quarta-feira, 12 Ago 2009

    Jag heter Feromônio X

                                                                                        
    À Mulher Treze:                                                         
    “Lá vem, como o furacão,                                           
     a desabar da montanha;                                                       
     e na truculenta sanha,                                                            
     no torvo rancor eterno                                                         
     da recalcada vindita,                                                
     vibra esta praga maldita,                                                     
     com um corisco do inferno.”                                                    

    Bulhão Pato                                                                                                                                  

    Postado por Ike Saltiel   às 10:02   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

  • Quarta-feira, 12 Ago 2009

    Benim ad bkz. be Feromônio IX

    E lá estava eu no lugar em que um dia foi o Quiosque do Jorginho – logo no seu início. O lugar era, então, interessante. O banheiro público ainda não havia sido descoberto pelo público viandante, portanto, ainda não fedia adoidado. Questão de tempo. Hoje, parece ou dizem, anda aceitável.
    Havia brigado com minha patroa e, para variar, fui beber.
    Sentei sozinho naquelas mesas de cimento que ficavam – não sei se ainda existem – na parte interior do estabelecimento. Não demorou muito, sentou um corno mala acompanhado de sua gostosa e recente esposa metida a intelectual.
    Nessa época, eu, além de jovem e jeitoso, ainda nutria um certo respeito, uma certa reverência masculina (admiração) e feminina (desejo) fruto da minha imagem de DJ.
    Eu estava inspirado. Filosofia é que nem futebol, tem dias (ou noites) que tu estás infernal para o jogo, outros nem tanto. Digo isso por que já joguei bola e bem. Não fora o trago, as mulheres e um – entre tantos – infeliz acidente que deixou-me tetraplégico durante algum tempo, quem sabe hoje, não estaria com o pão da velhice garantido graças a pelota. Mas, naquela madrugada, além da tesão espontânea acrescida da tesão alcoólica, eu tava fluente do pensamento incessante à compreensão da existência da natureza e do espírito, entre outros, humano.
    O Corno Seis só queria falar e cantarolar, com total desconhecimento e desconexão, Led Zepellin, Deep Purple, Sex Pistols e fumar maconha. Já a Mulher Seis, a exemplo de mim, beber e destilar razão e sabedoria.
    O mala, atrás de mais fumo e sentindo-se fora do contexto, sentou com uns parangas na mesa ao lado, deixando pra mim, pelo menos temporariamente, o caminho livre.
    Eu tinha que agir depressa e com alto poder de sedução, pois, além do Corno Seis, eu era importunado, vez que outra, por puxa-sacos ou por pelados pedintes de trago.
    - E aí, o que te deixa puta? perguntei-lhe com sentido ambíguo.
    Ela estava com uma frente única oferecendo ao olhar de quem quisesse, acima, seu par íntimo e sinuoso de frutos sem-par e abaixo, seu sublevado umbigo de sultana.
    - A falta de água encanada nas torneiras de famílias nordestinas!
    Disse isso, levou sensualmente o copo de cerveja aos lábios levemente acolchoados. Hauriu com tamanha sede e rematou:
    - Como pode um país que detém 1/3 da água doce do mundo, ver mulheres e crianças carregar água barrentas em baldes improvisados em longas distâncias caatinga afora.
    Profundo! Mesmo naquele ambiente e naquelas circunstâncias, eu tive que reconhecer... intenso. Em princípio, para uma madrugada, me pareceu uma teoria batida pelo uso populista, mas sua voz tinha consistência e sua expressão demonstrou faculdade de estabelecer julgamento sobre o referido assunto.
    Ela falara com sentimento, com consciência.
    Eu precisava tirar ela dali. Colocar a minha torneira na geografia dela. O Corno Seis estava mais preocupado em poder gozar de alucinações.
    Eu em gozar na sua mulher.
    Eu não mais podia discorrer nessa estratégia que se deduz pela razão. A linha a seguir era a da tesão. Brincar de sabedoria seria perder um tempo precioso, o risco de dar em água o meu objetivo ordinário era taludo. Eu queria banhar ela em águas de rosas, se não em um motel, que naquela época não era tão acessível como hoje, pelo menos no meu Fiat 147, Ano 1979, Zero Km.
    Precisava tirar água do joelho, ela também. Fomos correndo mijar, não voltamos mais para o Quiosque do Jorginho.
    Noutro dia, na garagem do apartamento, eu, minha esposa e minha mãe, entramos no Fiat. Minha mulher educadamente sentou atrás e, de súbito, histericamente gritou: - O que é isto? Saímos assustados do carro e ela, com a ponta do dedo indicador e sua palma voltada para cima expôs a nossa vista uma calcinha minúscula de fundo branco com poá vermelho. Momento difícil, mas também não era nenhum batom na cueca. Na época, eu tinha um amigo muito louco - o Ney da Varig. – Foi o Ney. Rindo, eu continuei: - Filha da puta, foi o sacana do Ney.
    Depois de duas trepadas no Fiat  147 – dobrei os dois bancos traseiros para a frente e deu-se ali uma bela cama de casal improvisada – e em alguma parte do nobre bairro Dom Feliciano que, à época encontrava-se em expansão, justo e próximo a casa do Ney, a Mulher Seis queria mais. A Lua dando lugar ao Sol e ela ainda querendo me dar. Só mais uma. Que nada. A louca estava insaciável e queria mais.
    Depois de três sessões seguidas de intensa conjunção carnal; dezenas de promessas e juras de amor – minhas - e seguidas de alguma filosofias de baixo nível – dela -, tal a sua inconformidade, deixei-a próxima de sua casa - descobri depois que a sua calcinha, de forma maldosa e proposital, não fora junto - e fui a minha. Era dia claro.
    Nunca tive tanta presença de espírito naquela garagem da Cel. Sarmento.
    Talvez, minha mulher – a Mulher Um - lendo este texto, lembre-se e venha tirar nova satisfação.
    Minha resposta já está pronta, não será de improviso: - Meu amor, essa história de Feromônio é tudo ficção!

    Postado por Ike Saltiel   às 10:01   |  Comentários (0) [ Regras para Comentários ]

Eki Leitlas - O Autor

Nascido em 1857, sabe-se lá onde. Errou mundo afora, desde o extremo sul da China, em Cantão¹ (imputa-se a ele a vinda da raça dos cães Chow-chow² para o Ocidente, em especial a Cachoeirinha) até Gravataí³, visto que, suas garatujas foram encontradas na Fonte do Forno, na Aldeia dos Anjos.



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