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É no samba que Glau Barros sente-se em casa
Cantar sempre foi uma paixão para Glanilci Barros de Souza (46). O interesse pela música é, aliás, uma tradição da família. Ela recorda que a avó Ondina Souza era integrante do coral de uma igreja. Muitas vezes, a acompanhou em eventos. Em algumas oportunidades, as duas repassavam os hinos juntas. Alguns tios de Glau Barros, como tornou-se conhecida a partir dos trabalhos nas áreas musical e teatral, também cantavam em serestas pela cidade. Na época em que estudava no Colégio Dom Feliciano, as aulas de Artes eram um estímulo. A aluna adorava se apresentar e, claro, se destacava com as performances, o que a conduziu depois para a carreira de cantora e atriz. A artista se dedica, atualmente, a vários projetos culturais. Um deles é a campanha de financiamento coletivo para gravação do primeiro CD, intitulado Samba que te quero samba.
 
O início da carreira musical ocorreu na década de 90. Glau costumava se apresentar em karaokês e, numa ocasião, conheceu o músico Marcão Acosta, que a convidou para ser vocalista de uma banda de pop rock. O conjunto se chamava Sideréus Nuncius. Com o tempo, a cantora, passou a se apresentar em bares da região e incluir ao repertório outros gêneros. Cresceu o interesse pela música popular brasileira (MPB) e, em especial, pelo samba, com o qual “sente-se em casa”. Quando começou a conciliar a música com o teatro, a artista reduziu o número de shows, o que acabou adiando o projeto de produzir o primeiro CD.
 
Para a gravação do álbum, Glau lançou uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) na plataforma on-line Kickante. Através do site, empresas e a população em geral podem fazer colaborações e receber recompensas. Nove cotas estão disponíveis, com valores de R$ 20,00 a R$ 10 mil. As contribuições podem ser feitas até o dia 27 de agosto, sendo que a meta para o projeto é arrecadar R$ 55 mil. O lançamento oficial da campanha ocorreu no dia 28 de junho, em um show com entrada franca, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
 
Produção e lançamento do álbum
Segundo Glau Barros, o CD Samba que te quero samba vai incluir doze faixas, sendo que duas são releituras – uma de Lupicínio Rodrigues e a outra de Noel Rosa, sambistas que a gravataiense sempre admirou e trabalhou com cujos repertórios. As demais canções valorizam vários compositores gaúchos e também vêm sendo apresentadas em espetáculos da artista. O trabalho conta com a participação dos músicos Silfarnei Alves, Edu Moreira (ambos tocam violão), Marco Farias (teclado), César Audi (bateria), Alemão Charles (cavaquinho), Clint Mello (pandeiro), Cleber Junqueira e Fernando Catatau (percussão). A intenção da cantora é promover diversos eventos para divulgação da campanha de financiamento coletivo. Ainda não há definição da data e local para o lançamento do álbum. Contudo avalia-se a possibilidade de lançar o disco em dois de dezembro (Dia Nacional do Samba). 
 
Participação em musicais e próximos espetáculos
O talento de Glau Barros para o teatro e a música lhe rendeu convites para participar de alguns musicais, entre os quais Night Club, Prato Feito - Você tem fome de quê? e Ta-hí Carmen Miranda. Além disso, são vários os espetáculos musicais que vem desenvolvendo nos últimos anos. Entre os shows destacam-se Glau Barros Canta Elis Regina, Estandarte do Samba, De Amores e Sambas e Especial Clara Nunes. 
 
O que a artista costuma escutar no dia a dia também inspira o repertório das apresentações. Ultimamente, a cantora tem escutado bastante Jovelina Pérola Negra, Chico Buarque e sambistas gaúchos que encaminham suas composições. “Recebo muitas músicas. O Rio Grande do Sul tem compositores muito bons”, afirma. Conforme Glau, o estado teve e ainda conta com muitas sambistas e compositoras maravilhosas, como Maria do Carmo, Cláudia Quadros, Delma Gonçalves, Zilah Machado e Pâmela Amaro. 
 
Este mês, a intérprete tem alguns shows agendados pelo estado. No dia 12, ela apresenta o Especial Clara Nunes, no Sesc Canoas. Em 19 de agosto, o público poderá prestigiar sua performance no projeto Quilombo Montigente, que acontecerá no Teatro CEEE Erico Verissimo, em Porto Alegre. No dia 27, Glau estará em Santa Rosa para o espetáculo baseado nas canções de Elis Regina. 
 
Projetos na área teatral
Na carreira como atriz, Glau participou de espetáculos do Grupo Caixa-Preta, como Hamlet Sincrético, Antígona BR e Ori Orestéia, entre outros trabalhos. Pela atuação em Hamlet Sincrético foi indicada ao Prêmio Açorianos de Melhor Atriz Coadjuvante. Atualmente, a artista está envolvida com o projeto Pinóquio, da Cia. de Atores Independentes. A peça infantil está em fase de ensaios e tem estreia prevista para setembro, em Gravataí. O elenco também contará com Paulo Adriane dos Santos, Marlise Damin, Vitor Santantônio e Juliano Bitencourt. Simultaneamente à carreira artística, ela também trabalha na biblioteca da Escola Áurea Celi Barbosa e dirige o departamento cultural da Associação Seis de Maio.
 
Produções cinematográficas 
A gravataiense também participou de produções cinematográficas. Glau foi a protagonista do curta-metragem Antes que chova, de Daniel Marvel. Atuou no filme Anita e recentemente gravou mais um curta, denominado Vitória. Este último foi produzido como trabalho de conclusão do curso de cinema da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e será exibido até o final do ano, no Santander. A atriz também gravará em breve uma série dirigida por Gustavo Spolidoro.
 
A principal missão de um artista
 “Considero a maior missão de um artista transmitir o que lhe faz bem para outras pessoas”, destaca Glau Barros. Para a cantora e atriz, o aspecto mais gratificante é a troca de energia entre a plateia e quem está no palco. “É um encontro de almas”, frisa. Ela argumenta que perceber a satisfação e alegria nos rostos das pessoas é importante para quem está se apresentando. Respeitar o público é algo que considera primordial. “Afinal, eles saíram de casa para assistir à tua apresentação, é sinal de que gostam do teu trabalho”, comenta.
 
Para a artista da Aldeia, a emoção não mexe apenas com a plateia. A cantora recorda duas ocasiões marcantes: um show no qual convidou um grupo infantil de dança afro e uma senhora para subir ao palco e a participação de um morador de rua nas apresentações do projeto Quilombo Quintana. “Quando as crianças subiram no palco e começaram a dançar, a senhora chorou. Foi emocionante. E o morador de rua pagava ingresso, dizia que valia a pena para ver algo bonito”, relata. Glau. Ela acredita que ao consumir arte, a pessoa está investindo em sua própria formação, visto que isso estimula a ver o mundo com olhar crítico e reflexivo. 
 
Parceria para tudo!
Glau tem duas filhas, Maria Luiza (13) e Cecília de Souza Daitx (6). A relação com as meninas é de muito amor e cumplicidade. Elas são ótimas parceiras, tanto nos momentos de diversão como em conversas “mais sérias”. Nas horas de brincadeira, uma das atividades prediletas é cantar, obviamente. A intérprete aponta que as garotas conhecem muito bem o repertório de seus shows, surpreendendo muita gente com a facilidade para lembrar músicas que foram sucessos em outras gerações. Sempre que possível, as filhas também acompanham a mãe nos ensaios e apresentações. 
 

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