ARTIGOS

Arte é... vidência

O trabalho deles é nos divertir e emocionar
 
Quando você assiste a um espetáculo teatral, os sentimentos são diversos, dependendo da proposta artística. Às vezes, você sorri, dá gargalhadas com o que vê. Em outras ocasiões, se emociona e reflete sobre a mensagem transmitida. E esses são, justamente, os objetivos dos artistas ao entrar no palco e dar vida a diferentes personagens. O trabalho, mais do que uma representação, é uma ferramenta capaz de nos ensinar e estimular o pensamento crítico. É isso que destaca grande parte dos artistas da cidade. Nesta edição, apresentamos um pouco das histórias e projetos mais recentes dos atores Paulo Adriane dos Santos (48), Sheila Gomes (35) e Jhonatan Souza (21). 
 
Seja inverno ou verão, a produção artística não para!
 
Assim que termina a temporada de verão do Parque Aquático e Hotel Fazenda Acqua Lokos, em Capão da Canoa, inicia a programação de inverno. Só isso já indicaria que o ritmo de trabalho é intenso para Paulo Adriane, que coordena há seis anos o Núcleo Artístico do local. Mas os projetos do artista não param por aí. Ele tem se dedicado também à produção de espetáculos através da Companhia dos Atores Independentes. 
 
No Acqua Lokos, Paulo Adriane se apresenta às sextas, sábados, domingos e feriados. Um dos trabalhos é a peça E assim tudo começou, dirigida por Daniel Assunção. Na encenação, que conta a história do parque, o gravataiense interpreta Dinho, um garoto que interage com os três mascotes (Vaquinha Malhada, Cavalinho Pangaré e Patinho Ronald). As outras peças são adaptações de histórias contadas durante o verão, nas piscinas: Sol e Os Piratas e A fórmula mágica. Os textos foram construídos de forma coletiva, sendo Rodrigo Westeuser, de Gravataí, um dos colaboradores. Ele realiza, ainda, intervenções teatrais com clowns, ao lado de Gustavo Engelmann e Pâmela Wiersbitzki. As apresentações seguem até novembro, quando inicia a temporada de verão.
 
Quanto aos trabalhos pela Companhia dos Atores Independentes, Paulo Adriane explica que três projetos estão em fase de captação de recursos via lei de incentivo: Paixão de Cristo 2018, em Gravataí; Memórias Recicladas da Vila Pinto, em Porto Alegre; e Chimarrão com Açaí. No caso da Paixão de Cristo, o texto será de Anne Minuzzo e a direção de Vanessa Greff, Vítor Santantônio e Flávio Vidaurre. A história será contada sob a perspectiva dos apóstolos e haverá destaque para a fase da infância de Jesus. O projeto na Vila Pinto consiste na oferta de oficinas culturais para a comunidade, em molde semelhante ao trabalho social já desenvolvido por Vanessa Greff na Favela da Maré, no Rio de Janeiro. A ideia é que as aulas culminem com a apresentação de um espetáculo. Chimarrão com Açaí é uma peça infantil sobre diferenças culturais nas diferentes regiões do Brasil. A direção é de Rodrigo Vrech. 
 
A Cia dos Atores Independentes também prepara dois espetáculos com recursos próprios: Pinóquio e o Auto de Natal Em busca do Rei Menino. O primeiro tem estreia prevista para 16 de setembro, no Teatro do Sesc Gravataí. Além de Paulo, o elenco vai reunir Marlise Damin, Glau Barros, Vitor Santantônio e Juliano Bitencourt. O Auto de Natal é uma remontagem de um trabalho produzido há dez anos. 
 
Em breve, o ator retomará as gravações de episódios para o programa Priscila Show, do canal PlayKids. Na primeira temporada, foram produzidos dez episódios com alguns dos personagens da TV Colosso, sucesso exibido pela Rede Globo na década de 90. Simultaneamente a estas produções, o profissional realiza oficinas de intepretação para dança gaúcha, em centros tradicionalistas da cidade. 
 
A chance de viver um sonho através da arte
 
“A arte é o ar que respiro, o sangue que corre em minhas veias. Ela me fez um ser humano melhor”, afirma a atriz e professora de teatro Sheila Gomes, que tem 17 anos de carreira. Nos trabalhos, a profissional, graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), busca auxiliar os demais a compreenderem que a arte pode – e deve – ser utilizada para o bem. Ela aponta que, por acreditar no poder de cura através da arte, está concluindo a formação como arte-terapeuta. “O teatro me deu amigos, coragem para viver em momentos muito difíceis, força para levantar todos os dias. Me mostrou que podia ser mais do que eu mesmo imaginava. Hoje, quando estou no palco e vejo olhinhos brilhantes, penso que esse é meu maior sucesso”, destaca.
 
Sheila garante que a arte a possibilita viver os sonhos. “Já foram muitos e os realizei. Sou uma atriz que participa de trabalhos que passam mensagens relevantes. Sou professora de teatro e me orgulho muito de inspirar o amor pela arte que escolhi para a minha vida. Agora, meu sonho como artista é dar um passo maior na carreira e me tornar diretora”, diz. A artista revela que desde a infância ama interpretar. Quando criança, fazia encenações diante dos familiares. “Era minha brincadeira preferida!”, ressalta. Uma professora, Jane Mari de Souza, foi a responsável por possibilitar o ingresso no primeiro curso de teatro, depois que assistiu a um espetáculo da Cia Crakety, da qual faz parte atualmente. 
 
Há pelo menos uma década, Sheila é arte-educadora e realiza contações de histórias, ofício que aprendeu com a amiga Rosane Castro. Desde fevereiro deste ano dá aulas e trabalha como assistente de direção na Escola Dança Arte Celícia Santos. Um dos projetos ao qual tem se dedicado nos últimos meses é o espetáculo infantil Tatu Balão, inspirado na obra de Sônia Barros. A convite de Rosane Celistre, diretora da Crakety, integra o elenco, ao lado de Anderson Gonçalves, Alexandre Malta e Bruno Barcellos. “Neste trabalho, não temos personagens definidos. Todos contam a história e manipulam os bonecos e elementos de cena. O personagem principal é um tatu que deseja muito voar. Fala de sonho, amizade, que são temas que gosto muito de abordar nos meus trabalhos, principalmente para as crianças”, comenta. 
 
Trabalho inspirador é aquele feito com amor e dedicação
 
Desde a escola, Jhonatan Souza se interessa por atividades que envolvam os diferentes segmentos artísticos. “Sempre gostei. Minha matéria favorita era Artes”, recorda. Desenhar, pintar, escrever, criar histórias, participar de apresentações em datas comemorativas eram ações comuns na rotina do jovem, que agora concilia a carreira de ator e produtor com a divulgação de projetos culturais. Ele também cursa Produção Cênica na Faculdade Monteiro Lobato. 
 
Em 2008, Jhonatan começou a apresentar esquetes teatrais, porém a dedicação à área se intensificou há cerca de quatro anos, quando participou de oficinas de teatro oferecidas pelo município. “Foi um ano divisor de águas na minha vida”, salienta, acrescentando que aprendeu muito com a experiência. Os primeiros espetáculos dos quais fez parte foram As ceroulas do prefeito e A décima descoberta, ambos dirigidos por Flávio Ávila, no encerramento das aulas. “Ali, eu vi na prática um pouco do que é ser ator”, destaca. 
 
Entre os trabalhos mais recentes figura Quem conta um conto aumento um ponto, da Companhia Una. Neste projeto, a trupe fez uma adaptação de Peixes na Floresta, do folclore russo. O acadêmico interpreta um lavrador, que tenta esconder da esposa o ouro encontrado na plantação e, para tanto, cria situações inusitadas. “Meu primeiro trabalho voltado para o público infantil foi muito legal. As crianças formam uma plateia exigente, se não estão gostando, falam mesmo”, aponta. 
 
O ator ressalta que procura se inspirar em artistas que desempenham seu trabalho com amor, para si e o público e, não, em busca de status. “Nós transmitimos a energia, a mensagem do teatro. O público, consequentemente, corresponde com suas mais variadas reações, seja com o riso frouxo ou somente com os olhares atentos, suspiros e os aplausos. Todos esses elementos chegam até nós como revigoramento, trazendo a certeza de que valeu a pena todo o tempo investido em estudo, criação, ensaios e apresentação”, argumenta. 
 

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