Injeção de alegria
Quem disse que a alegria não é contagiosa? Não parece, mas por entre os corredores do setor de Pediatria e Queimados do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, também se ouvem risos que servem como diagnóstico de que ali não é lugar só de tristezas, mas de esperança. Isso acontece toda vez que o grupo cachoeirinhense DOUTORES DÓ RÉ MI leva, com seus narizes de palhaço e instrumentos musicais, generosas doses de diversão, afeto e emoção a pacientes que, por força das circunstâncias, viram, em algum momento, o sorriso abandonar o rosto.
Inspirados no grupo que igualmente usa as vestes de palhaço - Doutores da Alegria -, uma turma de amigos de Cachoeirinha decidiu, em 2008, adaptar o trabalho voluntário e aplicar a Terapia do Riso na Pediatria do Hospital Cristo Redentor. Formada pelas irmãs Cibel e Cecília Bálsamo Etchelar, por seu marido, Luiz Inácio de Oliveira - mais conhecido no meio musical como Lula - e alguns colaboradores, a turma leva alegria à gurizada através da música, da palhaçada e da mágica.
Quando Cecília, Lula - seu marido -, e os amigos colocam o último apetrecho da fantasia - o nariz - é como se pudessem transformar a vida das pessoas à volta. “Os olhos do palhaço são o seu grande nariz vermelho, pois com ele, tudo pode ser dito, inclusive aquilo que jamais se ousaria com a cara limpa. Sem falar na emoção que é ver a risada, antes perdida de uma criança, renascer em seu rosto”, diz Cecília.
É ao som de músicas infantis tocadas por diversos instrumentos como violino, bandolim, flauta doce, escaleta e percussão, que os Doutores Dó Ré Mi percebem, de quarto em quarto, o semblante dos pequenos mudar. A dor, muitas vezes, dá lugar ao brilho nos olhos. “Nossos improvisos resultam da experiência encontrada em cada visita. Nosso único objetivo é vê-las esquecendo, por horas, o que as trouxeram àquele lugar. O grande triunfo da alegria e da música é extrair aquele sorriso que só um deles pode retribuir com imensa generosidade. Presenciamos casos em que quando estamos com eles, a febre cessa, os batimentos cardíacos dos monitores se regularizam. É emocionante! O retorno é imediato.”
As visitas sempre foram realizadas em datas comemorativas, como Natal, Carnaval, Páscoa e Dia das Crianças. Mas a partir de fevereiro, os primeiros domingos de cada mês passam a fazer parte da agenda do grupo de voluntários que só existe para levar felicidade e fazer o bem sem ver a quem.